Eu estou evitando tudo que me lembre você, por opção própria. Sabe aquele amor que te mata e ao mesmo tempo te fortalece? Nós somos assim. Na verdade, nem sei se posso dizer que é um amor, e nem sei se posso dizer que existe um ‘nós’. Me pego aqui todos os dias, em frente a um computador por apenas um motivo, na verdade, isso tá se tornando o meu motivo pra tudo. Estou engolindo as palavras, estou omitindo-as. Finjo que não ligo quando você fala dela, delas… Finjo que não ligo quando você engana as usando a desculpa de que eu existo, usando-me como pretexto. Finjo que não ligo pra nada, mas a verdade é que tenho ligado pra muito.
Floresceu faz tempo. Quem floresceu faz tempo? O meu amor. Sujeito oculto, substantivo abstrato. E assim permanece, inexplicável e existente, ao menos na minha concepção. Não meço as palavras para conta-lo. Puro e impuro, ao mesmo tempo. Confuso. Você me deixa confusa, e ainda que eu tente em todos os mapas encontrar o caminho pra fugir de tal sentimento, todas as minhas trilhas me guiam até você. O problema é que estamos diretamente conectados, como se um dependesse direta e indiretamente do outro. Ao menos eu me vejo assim. Conectada o suficiente pra que não haja um corte em tal elo. Eu sofro, mas ainda assim não quero me distanciar, não quero me manter ausente, é como se parte de mim morresse sem nem mesmo haver algum experimento. Posso caracterizá-lo inefável, ainda que confuso. Você, a cura para os meus problemas, e o começo de todos eles.
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